Tu sabes que eu nunca serei uma pessoa de equilíbrios fáceis, de ponderada sensatez ou palavras comedidas. Conheces-me há tempo demais. Sabes bem que em mim tudo é sofreguidão, tudo é imediato, que as esperas me desesperam, que nunca terei esse teu lado racional que tanto invejo. Que pedirem-me para ter calma é o mesmo que me atearem fogo e tão pouco adianta coisa alguma. Que a brusquidão dos gestos e das palavras raramente encontra correspondência nos afectos e que cinco minutos depois eu vou olhar para ti, falar-te das coisas mais triviais e redimir-me o melhor que posso e sei de uma forma igualmente genuína. Sabes bem que serei sempre uma mulher de tempestades e vendavais mas que é em ti que me encontro e reconcilio. Que é no teu corpo que descanso e que a tua voz é a única que me segura e tranquiliza. Sempre. Conheces-me há tempo demais. É o quanto baste.